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O Cachimbo
Um cachimbo, sendo um objeto sacro deve ser manuseado e guardado com cuidado. Não se deve emprestar o cachimbo
para os outros não se deve deixá-lo em qualquer lugar, normalmente ele estará na mesa de Jurema ou em um saco de
pertences, afastado da vista ou da manipulação de outros que não o próprio dono. Cachimbos não devem ser perdidos ou
abandonados. Se não se vai usa-lo deve ser “despachado” na mata para se encerrar o seu significado ritual.

O uso dos Cachimbos

O discípulo usa o seu cachimbo para curar doenças, chamar Mestres e mandar os seus feitiços. Neste ponto uma grande
diferença dos ritos africanos onde coloca-se o trabalho no chão. No Catimbó ele vai pelo ar na fumaça do cachimbo. O
cachimbo é soprado pelo contrário e a fumaça é lançada através do ante-braço direito ou esquerdo queimando por sobre a
pele.

Usa-se o cachimbo para mandar uma “fumaça” de esquerda ou direita. Para se mandar uma fumaça usa-se um procedimento
simples, mas, ritual. A fumaça é mandada soprando-se o cachimbo ao contrário por sobre o ante-braço. A boca é colocada
no caldeirão e supra-se o ar forçando a sua passagem ao contrário de forma que ele saia pelo canudo. O Ar deve sair
quente, queimando, no braco e com a mão espalmada, mas, com os dedos juntos se direciona a fumaça.

O processo começa se soprando com o braço apontado para o chão e gradativamente vai se subindo o braço até que ele
aponte para o céu. Deve-se iniciar o processo se concentrando no que se quer fazer limpando a mente de todo o resto.
Quando se chega ao final, conclui-se batendo o pé esquerdo no chão e dizendo-se o que se quer.

Este processo é feito com o braço esquerdo quando se manda uma fumaça às esquerda e com o braço direito quando se
manda uma fumaça à direita. A força do discípulo é medida pela eficiência que a Jurema responde a sua fumaça, ou seja, ao
fato da fumaça encontrar o seu destino e provocar o sei efeito. Este processo é feito pelos mestres e também pelos
discípulos sem os mestres acostados.

Um bom catimbozeiro pode também mandar uma fumaça de forma mais discreta. Em alguns lugares ou ocasiões não se pode
fazer este processo de maneira que existe outra forma mais discreta. Esta consiste de fumando o cachimbo da forma
habitual, se soprar a fumaça ao invés de sugá-la. A fumaça vai sair pelo caldeirão do cachimbo. Faz-se isso com mais
calma, pensando no que se quer e mandando assim a fumaça ao seu destino. Normalmente se uso para mandar fumaça para
pessoas que estão no mesmo recinto e não se quer mostrar que está fazendo isso.
Antes de começar a usar o cachimbo convém fazer um pequeno ritual de abertura. Depois de acendê-lo, Joga-se fumaça
para os 4 cantos, iniciando-se, pelo norte e depois oeste, sul e leste saudando os 4 guardiões do tempo. Termina-se
jugando fumaça para o centro e acima e pisando-se com o pé esquerdo chamando pelo mestre que se quer ter junto no
trabalho.
Usa-se o cachimbo nos processos de cura e de limpeza astral de visitantes. Neste caso usando o
mesmo processo de soprar a fumação ao contrário joga-se a fumaça no visitante somente na sua
aura (em volta do corpo) e não diretamente nele. O processo começa pelo pé e segue por todo o
corpo, por sobre a cabeça até chegar no outro pé. Isto é feito primeiro de frente e depois de costas.
Quando é feito de costas, após de circundar toda a pessoa com a fumaça, joga-se fumaça
diretamente sobre ela, iniciando do pé, subindo pelas pernas e costas até a cabeça. Termina-se com
a mesma batida com o pé esquerdo.