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Sincretismo no Catimbó
O pai Joaquim que desceu no terreiro do Honorato, em Niterói, costuma acostar nos Catimbós natalenses e sei de cor a sua linha,
sacudida e alegre. O protocolo e mais democrático e acolhedor no Catimbó pobre e sem exigências ritualística. O contato psíquico
é de menor intensidade. Nunca assisti a possessão em duas pessoas ou mais, como é relativamente comum nas filhas-de-santo,
nos cultos jeje-nagô, a mesma defumação propiciatória com arruda e incenso, mas o cantos de licenças e encerramento têm maior
tonalidade católica, despidos do elemento reiforme, dos instrumentos de percussão cuja sonoridade monótona caracteriza o culto
africano no Brasil e confio em sua atraente mobilidade plástica.

O sincretismo religioso faz convergir objetos e atos católicos para o culto negro, de mistura com reminiscências indígenas. Nos
Catimbós são vistos e empregados o Crucifixo; Cristo na posição crucificada, mas sem a cruz; Santo Antônio; Santa Barbara,
incenso, velas acesas, persignações, orações populares como a magnífica “Magnificat”, Ofício de Nossa Senhora, Forças do Credo,
Santo Amâncio, Santo sepulcro, pedra Cristina, as invocações rituais a São José para abrir e fechar a mesa.

Essa chave, chavinha, facilmente encontrada nas orações fortes é figuradamente a chave do Sacrário, onde se guarda a hóstia, a
santa partícula. Usa-se qualquer uma, desde que não tenha emprego anterior, porém o ideal seria a própria, uma legítima chave de
sacrário, um dos amuletos de maior prestígio como afastador de perigos ocultos e forças contrárias. Sua utilidade simbólica é um
dos elementos do Catimbó. seja recebida na jurema.

Desta feita o Catimbó empresta do Catolicismo e não das religiões afro-brasileiras os seus principais fundamentos, rezas, rituais e
objetos litúrgicos, se assemelhando levemente, a igreja católica da idade média que combinava a crença em Deus e Jesus junto
com rituais de magia e simpatias que foram banidos por um dos concílios papais.

Catimbó e Candomblé

O culto a árvore da Jurema torna o culto do Catimbó muito parecido com o do Orixá Iroco. Se o Catimbó fosse se referenciar a um
Orixá certamente o seu “patrono” seria Iroco e nenhum outro.

Como Iroco o Orixá árvore e a árvore Orixá, o Catimbó é a Jurema e a Jurema é o Catimbó. Iroco é um Orixás feiticeiro, assim como
o catimbozeiros. O tombo do Catimbó, um dos poucos rituais existentes é feito no pé da Jurema. Um outra coincidência com Iroco
e o ritual de morte. Enquanto A arvore de Iroco era usada para serem depositados os mortos, como um elemento de ligação entre
o Orun e o Aye, para o Catimbó se uma pessoa morrer perto de uma árvore de Jurema pode significar que ela por misericórdia seja
iniciada no Catimbó, se transformando em um Mestre.