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Candomblé se aprende em livros?
SIM !

O candomblé é uma religião antiga, rica e alinhada com tudo o que existe de bom, puro e nobre neste mundo. Não é uma seita
ou um encontro de macumbeiros.

No passado, como parte desta origem nobre, ele foi formado por pessoas muito simples e originalmente negras. Pessoas simples
que tinham muito pouca cultura ocidental ou até mesmo da sua terra natal, ou porque foi esquecida ou porque nasceram aqui
em cativeiro. Esta origem bem como a própria força da tradição e dos princípios religiosos fez o Candomblé ser discriminado e
perseguido, mais como uma forma de defesa. Hoje o Candomblé é outro. Continua rico, mas, permeiou toda a sociedade,
independente de cor e classe social. Podemos preconceituosamente dizer que existem mais analfabetos e materialistas nas
igrejas evangelicas do que no Candomblé, que esta se elitizando.

Em função de sua origem humilde criou-se um pre-conceito contra as pessoas de cultura que entravam no Candomblé. Dizia-se
que as pessoas de cultura ou estudo não eram "boas de santo" como as que "moravam" nos terreiros. Assim como uma defeza
de pessoas que pouco sabiam ler e escrever, a cultura escrita foi renegada o que foi um deserviço para o Candomble, porque
quem sabia se foi sem ter registrado minimamente o que sabia.

Devemos lembrar que em sua própria origem africana o Candomblé sofreu pela falta de tradição escrita. A tradição oral foi se
perdendo nos tempos, nas guerras, na fome e no colonialismo. Hoje a áfrica é dominada pelo islamismo.

Não é necessário ser nenhum gênio para se observar que nos terreiros, mesmo hoje em dia, existe uma multidão de
"filhos-de-santo" com um conhecimento muito limitado da liturgia e teogonia da religião. Existe uma forte tendência a reforçar o
lado místico em detrimento à cultura, aos dogmas e ao valores fundamentais. Infelizmente a abordagem comercial e util se
sobrepõe a formação religiosa e doutrinária, como se isso fosse desnecessário ou que não fizesse parte da religião.
Pior, em determinados lugares podemos observar claramente a predominância de um processo de dominação
hierárquica através da restrição ao acesso dos conhecimentos e até mesmo a um des-estímulo à cultura
tradicional ou escrita que se justifica basicamente por 2 razões principais