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Candomblé se aprende em livros?
A primeira é a manutenção do monopólio do conhecimento como forma de imposição sobre o grupo. Isto complementa a falta de
habilidade e aptidão natural das pessoas que são inaptas para ter uma casa de santo e, mais ainda, de ter "filhos-de-santo".

A segunda é que o acesso a informação escrita é infelizmente caro e por isso restrito de forma que os superiores hierárquicos
não podem correr o risco de terem conhecimento menor do que seus comandados.

São duas razões torpes e equivocadas, na realidade, arma do fracos. Felizmente nem todos os lugares são assim e o principal
motivo para a não disseminação da informação escrita é a econômica.

Entretanto, devemos também lembrar que até ha algum tempo atrás e um pouco ainda hoje a literatura do Candomblé era
dominado por livros de Ebós, feitiços e simpatias que, como citei, buscam o lado místico e pouco refletem a cultura e o
conhecimento. Hoje isto está mudando. Por força da infiltração do Candomblé em todas as camadas sociais, pessoas letradas,
acadêmicos e principalmente antropólogos tem não só escrito sobre, como também se envolvido com a religião. A qualidade
editorial tem sido nos últimos 2 anos muito boa.

Ainda vão persistir os enganadores ou aqueles que tem pouco conteúdo, mas acredito que a tendência é uma produção de
qualidade, abrangência e especialidade cada vez maior e melhor. Mas, nem tudo são flores. Os livros são caros e ainda escritos
de forma muita acadêmica o que prejudica a compreensão. Igualmente ainda se está regulando qual o conteúdo adequado para
os livros.

Finalmente sobre este último aspecto, considero que em livros não se coloca fundamentos de Roncó. Existe um equilíbrio a ser
alcançado uma vez que e necessário que as pessoas documentem e registrem rezas, dogmas e a estrutura litúrgica para que
isto sirva para perpetuar a religião. Devemos nos lembrar que o conteúdo litúrgico é parte de cada Axé e as pessoas devem
respeitar a sua ancestralidade e as raízes do seu Axé. Assim existem coisas que o bom senso indica que não se pode colocar
em livros.

Qual é este limite e equilíbrio? Temos que descobrir. Não podemos nos omitir e permitir que a cultura se perca. Não podemos
cometer alguns "sacrilégios" documentando para o grande público a particularidade da religião.

O importante é nos preocuparmos em aprender e ensinar. Quanto mais pessoas conhecerem o que é certo e com mais
profundidade mais pura e sagrada será a religião. É melhor fazermos parte de um exército de entendidos do que de ignorantes.
É mais importante um zelador liderar os seus "filhos" pela admiração e pelo conhecimento do que pela ignorância.

Deixemos aqueles que não sabem ou querem aprender ser Evangélicos